segunda-feira, 30 de março de 2009

SUBI NA VIDA!

E foi preciso vencer mais de quarenta degraus para chegar lá. Antes disso houve o preparativo para a noite da redenção. Barba feita e na água quente que saia da torneira eu me benzi. Me benzi de mentira. Só para fazer um jogo de cena em frente ao espelho, com cada mão formando um L, como se fosse a câmera de um plano sequência de um filme que nunca vai existir. Ou melhor: existirá para mim e ELA. Coloquei a melhor camisa, calça, cueca, par de meias e sapatos que tenho. Não sou belo, mas posso dizer que sei andar, apertar os olhos, mira-los na direção certa e, como dizem, improvisar.

Antes de chegar ao topo pensei em coisas que ouvi por aí. Todo mundo ouve coisas e eu não sou diferente. Acontece que a narrativa sempre é fácil, sutil ou dura, informativa ou superficial. Mas narrativa é só a narrativa. Enfim, ouvi por aí que não sou capaz de construir poemas. Até aí tudo bem. Para quem não quer ser poeta isso é suave. Ouvi também que não sou mais capaz de fazer reportagens. Para quem ainda depende disso para pagar as contas do mês isso poderia ser grave, caso não passasse de uma comédia... Que de divina não tem nada, mas mesmo assim me descolou um sorriso até que babaca. Mas é assim: alguns amigos me chamam de A Lenda, Will Smith, mestre do improviso e doutor jão. E os amigos já me avisaram que "os inimigos vão contar histórias, que meus inimigos vão falaaar...". Normal. Aliás, normal é coisa que eu não sou rs.

E para não confundirem isso aqui com uma perseguição ou mensagem subliminar vou direto: esse texto aqui é para vocês. Todos. Não tenho Orkut e nunca vou ter. Não tenho ânsia de dizer as coisas anonimamente e nunca terei. Amizade para mim não é oportunidade, conveniência e nem cheque em branco. Não é coleguismo, turma ou torcida organizada. Não é barulho ou ação em conjunto. Também não é abraço de bêbado. Isso é coisa de loser. E tudo que for diferente disso para mim é sinônimo de amizade.

De cima do edifício mais alto de São Paulo, com um copo de usíque na mão, eu cheguei ao topo. Cada um dá o seu jeito para chegar lá. O meu não é travestido com sorriso e nem falso moralismo. Ainda sou do tapa na cara, mas sempre com o olho no olho. Isso é o que eu chamo de Tiroteio.
E pode dar que eu tô de colete. O novo endereço é aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

FIRULA

O brasileiro adora uma firula. Eu, por exemplo, ensaio há meses acabar com esse blog. Mas enquanto a compulsão não me deixa bloquear em definitivo a passagem nesta Rua, resolvi publicar algo sobre a firula chamada Operação Satiagraha.

A reportagem da revista Veja sobre os arquivos da investigação do delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, disse muito e não esclareceu nada. Pedalou, pedalou e pedalou e pro gol mesmo nécas. A resposta de Queiroz em seu blog, ao mesmo tempo em que não desmente que têm dados que comprometem uma importante figura da república, diz que não investigou o José Dirceu, Gilberto Carvalho e nem o FHC. Nem diz que não e nem diz que sim.

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal divulgou nota, que critica as informações que vazaram para revista Veja. Para a Associação: "não é aceitável que segmentos da mídia nacional se esforcem tanto em apurar os procedimentos do delegado Protógenes Queiroz sem dedicar, ao menos, igual esforço para a apuração dos fatos principais da Operação Satiagraha envolvendo o empresário Daniel Dantas".

Ok. A confusão de toda a história mostra realmente que o trabalho de investigação, tanto da justiça como dos jornalistas, não está sendo feito de maneira competente. As perguntas principais ainda não foram respondidas. O disco rígido apreendido na casa de Daniel Dantas ainda não foi aberto e a população não sabe o tamanho do buraco. Informações em off do Planalto dizem que, caso o conteúdo do disco seja revelado, a República para. Muitos figurões vão dançar e pouca gente vai sobrar para governar. Não existiriam mais os mocinhos, tanto de esquerda como de direita.

Mas tudo isso é igual a esse post aqui, apenas firula. Algema em figurão que é bom nada.

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Nota: Existe uma investigação sobre a vida amorosa de Dilma Roussef, que possivelmente será candidata a presidência nas próximas eleições. Qual a intenção de uma investigação como essa? Como bem lembrou Pedro Doria, é comum a prática de investigar fatos particulares de pessoas influentes para se manter ou subir no poder. Mais ou menos assim: "Você namorou e engravidou aquela meninha de 18 anos né? Pois é, cumpadi, agora vai ter que me arranjar algum cargo em um ministério para eu manter meu bico fechado". Isso acontece sim. É prática no jogo político.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O LUTADOR

"Eu tive um ataque cardíaco. Achei que deveria contar pra você...".

O Lutador é um filmaço, porque consegue ser emocionante, sem ser babaca. E ponto. Além disso, não tenho muito mais o que dizer sobre o filme. Prefiro falar sobre o Mickey Rourke, o que dá na mesma que falar de O Lutador. Até pelo fato que foge do cinema atual: a semelhança entre a ficção e existência real do ator.

Rourke (aprendi a pronunciar o nome dele, Lê) experimentou o auge e a merda como poucos em Hollywood. Ícone da geração dos anos 80, o cara largou os estúdios quando estava no topo para ingressar numa carreira de lutador profissional de boxe - atitude tomada para se livrar dos traumas de infância, quando começou a boxear para se defender das surras que levava do padrasto.

O resumo é breve e cheio de cicatrizes. De tanta porrada que levou, o ator teve que passar por inúmeras cirurgias plásticas para consertar o rosto. Pós botox, ficou mais desfigurado. Na bebedeira, perdeu o casamento com o seu "amor" (palavra dita pelo próprio), viu nascer o ódio da filha, justificado por sua ausência, e acabou subestimado pela crítica do cinema. Na ponta do lápis, Rourke mais apanhou do que bateu na vida.

Já em pequenas participações, o cara mostrava que ia voltar a ativa (vide Sin City e A Promessa). Mas o retorno mesmo foi comprovado agora em O Lutador, onde o personagem Randy poderia muito bem ser chamado de Mickey Rourke. Fodido é pouco. Um velho lutador, sem dinheiro para pagar o aluguel, sem amigos, apaixonado por uma stripper também em crise (brilhantemente interpretada pela linda Marisa Tomei) e distante da filha.

Acho que ele merecia o Oscar, que ficou nas mãos de Sean Penn, amigo e fã confesso da carreira de Rourke. E já andam dizendo algo a respeito do "efeito Rourke", sendo que os títulos antigos dele estão sendo lançados, para aproveitar o sucesso de O Lutador. Tomara que esse "efeito" não seja uma crítica negativa. Da mesma crítica que o subestimou quando ele meteu os pés pelas mãos e que agora o aplaudiu. Ok. Faz parte do jogo.

Mas convenhamos: no mundo de mentirinha, a verdade é que não há nada mais bacana do que ver um homem que foi pro ringue, beijou a lona e sem autopiedade voltou pra mostrar que não estava acabado. Nesse sentido, Mickey Rourke é o cara.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CASO VOCÊ NÃO PEGOU A MENSAGEM

Adoro os filmes sobre mafiosos e quem me conhece já sabe disso. Gosto porque geralmente são enxutos, com diálogos pontuais e personagens críticos. E o outro motivo é que nesse gênero não faltam as mensagens, que os chefões e assassinos deixam para as vítimas (e o público).

Por exemplo, num filme mafioso a presença de laranjas ou um suco de laranja, quer dizer que alguém está prestes a morrer ou sofrer um atentado. Quando uma ave numa gaiola for entregue por algum desconhecido em uma residência, saiba que quem recebeu vai comer na mão do remetente. Quando um peixe podre é oferecido num embrulho de jornal, a pessoa que recebeu está jurada de morte.

E por aí vai.

INVEJA

A cena é: uma menina de rua pula de roupa na fonte de um edifício, esquina do viaduto 9 de julho. Sai encharcada, mas com o sorriso mais sincero e feliz do mundo. Estávamos eu, o Osama e o Márcio, indo almoçar no bar do Estadão.

Nesse calor, só sei que a inveja bateu.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

SOBRE CALCINHAS


No Brasil não é novidade. Uma atriz-modelo-jornalista-apresentadora vai a público para ser fotografada - tudo pré-combinado, é claro - e sai na foto com a calcinha aparecendo. "Foi sem querer, querendo", como diria o mestre Chavez. Luma e coleiras, segue a dica, Mr. Google. O engraçado é que com as pernas abertas para as lentes dos paparazzos, elas ainda juram que não esperavam ser clicadas daquela maneira. Como diz 04: "... na inocência...".

E longe desse que vos escreve querer propor a proibição de fotos das donzelas de calcinhas e muito menos inibir o uso da peça. Sem essa de falso pudor. Até porque já teve muita moça que levantou a saia para uma câmera, sem a dita... Quer dizer: com a perseguida como veio ao mundo. O interessante é que no carnaval as calcinhas viram personagens nas magazines. Tipo, a calcinha de fulana é de tal cor. A comédia é que isso acontece mesmo com a internet aí, que permite o acesso de fotos bem mais picantes e de vários ângulos rs.

Essa curiosidade em torno da calcinha, também me lembra os tempos daquela brincadeira de levantar as saias das colegas no ginásio. Eu nunca fiz isso, mas já sofri as conseqüências do ato. Certa vez um amigo levantou a saia de uma colega de classe e virou de costas. Quem estava atrás dele? Eu, pescando. A menina virou puta da vida, me olhando com olhos de injeção e perguntou: "o que você está pensando?". "Que você é muito gostosa", respondi com a típica cara de um moleque que não comia ninguém. O resumo foi uma tapa na cara. E olha que hoje até acho que a mão boba pode ser também inteligente, mas levantar a saia ofende pequenos compañeros.

Depois desse parágrafo memórias das minhas espinhas tristes, o que quero dizer é que esse desejo adolescente parece ter perdurado entre Kichutes e dona marias nas cabeças dos editores e fotógrafos das revistas de celebridades. Salve uma abertura de pernas estilo punk de uma ou outra, vide a patricinha mor Paris Hilton, as donas das calcinhas celebritys estão prestando um desserviço aos machos solteiros no carnaval. Acaba com a imaginação bêbada deles! Eu que já sou um folião gasto, prefiro muito mais uma Monica Bellucci vestida de burca, do que uma rainha BBB de bateria com o fio dental parecendo. Até porque a bunda no carnaval virou commodity rs!

É repito, meus caros. Calcinha é coisa linda, mas esse post é pela preservação da imaginação masculina.

Agora eu vou, porque a patroa me espera com três pedras na mão.

PAPO DE SURDO E MUDO

O senador Jarbas Vasconcelos acusou o seu próprio partido, o PMDB, de ser repleto de corruptos. "O número de peemedebistas envolvidos em corrupção é muito volumoso. Não é de hoje que o PMDB tem sido corrupto. Mais de 90% no partido praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos".

Não que a declaração faça do senador mais honesto e nem que revele o que ninguém sabia sobre o PMDB, o partido da barganha (e qual não é?). A chacota de tudo é a resposta da Executiva do partido, que em cinco linhas classificou as declarações como um "desabafo" e as críticas dele sobre corrupção como "genéricas".

Quer dizer que o PMDB concorda com o senador Jarbas Vasconcelos?

Como diz Tim Maia: "tudo é tudo e nada é nada".